Pois é amigos, muito se fala em Livro Digital no país.
Recentemente esse tema foi muito abordado no 2˚ Congresso do Livro Digital da CBL, evento ocorrido na semana passada em São Paulo.
Mas antes de falar de livro digital e de marketing em redes sociais, quero dar um passo atrás e ter uma visão macro do mundo editorial brasileiro. E se algum editor quiser corrigir o que escrevo, por favor estejam livres para comentar.
O cenário é composto por 3 principais elementos: o Leitor, a Editora e o Livro Digital.
Os Leitores com acesso a tablets e e-readers parecem estar animados em não ter mais que esperar uma entrega ou ir até livraria para comprar um livro.
Basta pesquisar, navegar e em poucos segundos (isso mesmo, segundos!) lá está todo o livro digital na mão do cliente.
Simples, rápido e fácil. Não tem produção de papel envolvida (as árvores agradecem) e vc ainda pode ler no escuro!
Bom, se isso faz os leitores lerem mais, aí é outra história… (afinal a leitura está ligada à cultura de um povo, não ao meio que se lê, certo?)
Enquanto isso, do outro lado estão as Editoras.
No Brasil, ser Editora não é fácil…
Nada fácil!
Claro que explico!
O sofrimento das Editoras começa pelo baixíssimo indíce de leitura do país, afinal somos um dos países do mundo que menos lêem livros, algo que vai de 1 a 2 livros lidos por pessoa a cada ano, enquanto que outros países chegam a índices de 7, 8, 10! livros por pessoa por ano.
Somado a isso, temos os custos de produção do livro em papel e o risco do livro ficar encalhado nas livrarias e no estoque da própria editora. Dá pra rasgar, no mínimo, uns R$20.000,00 por livro que não decolou! Complicado, não?
E as margens dos livros que dão certo? São relativamente baixas.
Basicamente a regra funciona assim.
Imaginem um livro qualquer.
Se “fatiarmos” o preço da capa, os pedaços desse bolo vão para:
50% vão pra Livraria (tudo isso? –> hã rã!)
25% referentes aos custos de produção e divulgação (nossa! e o que sobra pro autor e pra Editora?)
10% para o autor (só? –> isso mesmo!)
15% para a Editora (pagar sua equipe, outras despesas e ainda ter o lucro!)
Viu como é difícil ser Editora?
Dá pra entender como um bom conteúdo é tão importante pra Editora? É com esse conteúdo que ela ganha o seu pão.
…e ainda bem que elas existem pois são peças fundamentais na difusão do conhecimento.
Agora que entendemos a importância desse conteúdo, entendemos o porquê das Editoras se preocuparem tanto com o controle do mesmo. Justo!
Aí, entra o Livro Digital pra complicar a trama.
E esse “cara” é tão importante nos tempos atuais, porém é importante entendermos de onde ele vem.
Embora seja fundamentalmente um livro, o Livro Digital é filhote de uma mamãe muito poderosa: A Sra. Internet.
E, como todos seus vassalos bem sabem, a internet é um feudo onde a ordem é ser livre.
Liberdade de escolha! ![]()
Afinal, diferentemente da TV, a Internet não tem programação definida, nós é quem criamos a nossa programação a medida que navegamos pelos sites, blogs, portais, redes sociais de nosso interesse durante o dia.
Então, esse filhote chamado Livro Digital chega transformando os negócios das Editoras que vinham de um modelo de controle de conteúdo pautado nos contratos de direitos autorais e no seu carro-chefe o Livro Papel.
Se pensarmos nas fatias do bolo acima, veremos que as coisas podem mudar de figura, vamos pensar juntos.
Imaginemos que determinada editora publicou o seu Livro Digital, igualzinho ao do exemplo acima.
Vamos “fatiar” o seu preço “de capa” novamente nesse novo modelo?
Vamos lá.
30% vão pra Livraria (Pq? –> considerando uma média de mercado é o que IBookStore, Kindle Store e outras cobram pela venda)
5% referentes aos custos de produção e divulgação (claro, afinal, não tem papel e nem impressão envolvidos)
25% para o autor ( 2,5X mais? –> isso mesmo, e porque não?! A queda de custos já que não há impressão e risco de encalhe diminuiu o pedaço da produção. Quanto ao valor para o autor, bom, aí depende de cada Editora saber se consegue chegar a esse valor para eles)
40% para a Editora (uau! melhora significativa, não é?)
No exemplo acima, dá pra perceber que a margem da Editora e do Autor cresceram bastante. ![]()
Isso é bom, mas então, porque ainda temos tão poucos livros em formato digital no país?
Essa pergunta dá uma discussão de horas, mas tentarei ir no ponto-chave da questão, em minha humilde visão.
Lembra-se que eu disse que a Editora vem de um histórico de preservação do seu conteúdo? Pois é, quando se fala que seu livro estará na internet, os arrepios percorrem as espinhas dos editores do país, pois já imaginam seu livro sendo compartilhado aqui e ali sem receberem um tostão por isso. E ficam dedicando muito do seu tempo estudando formas tecnológicas e jurídicas de “travar” essa disseminação descontrolada.
Aí fica assim, a Editora não entra de cabeça de medo do seu conteúdo se perder na internet e perdem oportunidade de revisarem seu modelo de negócios que pouco mudou desde a invenção da imprensa de Guttenberg há mais de meio milênio atrás.
Já que poucas Editoras se aventuram nesses mares, a oportunidade de ter uma estratégia “fresh”, consistente e inovadora está batendo na porta.
Quem entrar nesse mundo vai estar preparado para mais anos e anos de sucesso editoral com seus conteúdos (sejam eles físicos ou virtuais).
Paulo Coelho disponibilizou, há algum tempo, todos os seus livros digitais de graça em seu site. O resultado? Aumento nas vendas dos livros de papel. Bacana, não?
Parece que o modelo tem que ser pensado de modo a deixar que esse conteúdo surfe nos mares da internet. Se o conteúdo for bom, ele atravessa os mares e oceanos, se for ruim, pode morrer afogado.
Uma oportunidade que vejo para as Editoras é de serem menos pretenciosas de achar que seus editores sabem o que o leitor quer ler. E sendo mais humildes em relação a isso, podem usar a internet como um grande laboratório de temas que podem vir a serem livros de sucesso no futuro.
E se o Livro Digital fosse esse teste? Fosse a forma de entrada de novos autores? De novos conteúdos e histórias?
Adwords, facebook, twitter, tumblr, Youtube, Flickr, entre outras redes e mídias sociais estão aí disponíveis para serem usados para esses testes. Assim, o leitor vai participar definitivamente sinalizando os editores qual é o conteúdo que eles querem ler. Que ótima forma de investir em novos lançamentos, não?
Outra oportunidade gigantesca é que a web 2.0 permite o relacionamento com os leitores em nível individual e podem gerar mais negócios a cada novo livro, diminuindo o custo de divulgação título após título. Relacionar-se com os leitores é a melhor forma de enteder o que eles querem e tê-los por perto sempre que uma novidade aparecer no catálogo.
Se não souberem o que fazer com todas essas ferramentas, basta me contatar que eu ajudo! ![]()
Aliás, relacionamento com leitores é algo que é preciso aprender na Editora do século XXI.
Lembrando que esse relacionamento com o consumidor final quase sempre foi relegado às livrarias, certo?
Certo. Mas esse já é outro papo.
É isso aí!
A internet sempre corta intermediários e pra mim nessa parte de livro o elo mais fraco é a editora. Olha a loja itunes da apple por exemplo que você pode por uma música pra vender e ganhar dinheiro com isso. Também temos a app stores onde um desenvolvedor solitário pode fazer milhares de dólares sem ter que ir pro lado da divulgação, deixando a mesma na mão do boca a boca. E nada melhor que as redes sociais para fazer o boca a boca digital.
As editoras que tomem cuidado que ela pode até mesmo deixar de ter sua fatia do bolo.
Legal seu comentário, Rodrigo.
A intermediação tende a desaparecer caso não haja valor agregado pela sua participação no processo.
Conhece o caso da jovem dos EUA (acho que se chama Amanda Hocking) que em menos de um ano vendeu mais de 1 milhão de seus ebooks diretamente pelo site da Amazon e ficou milionárias. Detalhe, ela havia sido rejeitada por diversas Editoras antes de vender seus ebooks independentes na AMAZON.
Acho que esse modelo não deve demorar para pegar por aqui. O que vc acha?
Um abraço e obrigado pelo seu comentário!
Concordo que esse modelo vem pro Brasil também. Inclusive uma das startups que o Buscapé investiu foi a Hot Mart – http://www.hotmart.com.br que facilita a venda de material digital.
O único problema que vejo é a cultura no Brasil de todos quererem tudo de graça mas isso também pode mudar.
Pode mudar, sim.
O problema é que não passamos pelo mesmo momento que indústria fonográfica nos EUA passou.
Não conseguimos um modelo robusto de venda digital de músicas no passado e agora estamos sofrendo. O internauta aprendeu a se virar pra conseguir o que quiser de graça na web e brasileiro, quando quer, conseque qualquer coisa.
Agora estamos pagando o preço de não termos repensado nosso modelo e corremos o risco de não deslanchar como ocorreu lá fora.
Mas tenho fé de que conseguiremos virar esse jogo!
abs
Olá Rodrigo, tudo bem?
Sou editora do site revolucaoebook.com.br e gostei do seu texto. Seria possível republicá-lo com fonte e créditos?
Olá Stella, fico feliz que tenha gostado do texto.
É uma grande honra pra mim ter um texto meu sendo publicado no seu site.
Pode publicar, sim.
Você me manda o link quando for publicado?
Abs,
Rodrigo